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1 de jun. de 2011

Canto de liberdade


Quero ser livre como pássaro
Voar pelos vastos arvoredos
E pousar nas rústicas palmeiras
Bailar sobre as serras verdejantes
Cantar com os sabiás
O meu canto sorrateiro

Vou dançar nos campos floridos
Beber da água doce da fonte
No fim das tardes penumbras
Contar o segredo da vida

Quero deitar nos braços da noite
No colo da relva adormecer
O sol acariciando o meu rosto
Ao despertar do amanhecer

Despojarei do meu velho manto
Remexo todo meu ser
Deixo minha alma soluçar
Faço do poema o meu pranto

Sou como um barco à deriva
Deixo as ondas me levar
Quero ouvir o canto da sereia
Contemplar a lua cheia
Beijar o mar.


Autor: Maria da Conceição do Amparo Alves
Ipiaú - BA
Foto: Treklens



31 de mai. de 2011

Desabafos de uma Mãe

Gerei meus filhos com muito amor, dei a eles: água, ar, terra, animais e alimentos.
Hoje, estes rasgam o meu corpo em busca das minhas riquezas, poluem com dejetos a minha seiva, esta que irriga a vida.
Desmatam com fogo o cobertor que protege a minha pele e  por mais que eu chore pedindo socorro, não ouvem a minha súplica.
E, o que mais me entristece não é a desconsideração, 
e sim a burrice...
Pois, preocupam-se apenas em enriquecer e não observam que,
esse progresso desordenado não significará nada daqui a alguns anos.
Estaremos tão vulneráveis que toda essa riqueza não servirá para nada.
Tanto conhecimento!
Mas, não reconhecem que estão se auto destruindo,
uma vez que somos únicos, fazemos parte um do outro.
Se ele morrer antes de mim, o receberei de braços abertos,
porque é meu fruto, mas se eu morrer antes deles, todos morrem comigo.
Pois, sou a vida.
Antes de mim, só o meu pai que me criou e chamou com todo seu amor de NATUREZA, a filha dos seus filhos.
 
Autor: Alexsandro do N. Ribeiro
Nova Soure - BA
 
 
 

24 de mai. de 2011

Última Paisagem


Hoje não estou muito bem para escrever, daí lembrei-me de uma poesia que li há um tempo no verso de uma revista. Resolvi então procurá-la, achei e agora escrevo a vocês essa linda poesia.
Um dia
Haverá de voltar ao teu planeta
Abandonado antes da total destruição,
E tu, predador de ti mesmo,
Olharás a terra em tua volta...
Verás entre as cinzas, vestígios de vida:
Ossadas de animais, 
esqueletos humanos em decomposição
Ao invés de árvores, folhas, verde e flor,
Apenas lúgubres tocos,mortos, fumaçando dor.
Cenário de pesadelo...
Tenebroso filme passará em tua mente, 
em câmera lenta cada passo de tua vida:
A criança brincando inocente,
O 'homem gente", imagem e semelhança divina;
Cada árvore destruída, o lixo,  a poluição...
Os alertas dos ecologistas,
Os cientistas em suas "inatingíveis" previsões...
Num momento de extrema loucura,
Procurarás alguem para pôr a culpa.
Apenas tu, na paisagem assolada,
Gosto indizível de solidão em tua boca,
Como um pássaro que destrói se próprio ninho.

Encontrarás Deus, mesmo nas cinzas,
Numa rosa despetalada e quase morta.
Vais querer chorar, não haverá lágrimas
em teus olhos impermeáveis.
Teras matado a poesia, aniquilado o riso...
Mas, desafiando a analgia do teu
coração petrificado,
Gritarás tardia profissão de culpa
E ouvirás o eco do teu próprio grito:
"Eu fui feliz! Já morei no paraíso!"

Edson Francisco dos Santos
Santa Maria do Cambucá - PE
Foto: Site Treklens